História
Introdução
O Museu Nacional de Arte Contemporânea foi fundado por decreto da República em 26 de maio de 1911. Nasce assim da divisão do antigo Museu Nacional de Belas-Artes em Museu Nacional de Arte Antiga, que herdou daquele as obras realizadas até 1850 e continuou instalado no Palácio das Janelas Verdes, e em Museu Nacional de Arte Contemporânea, constituído por todas as obras posteriores a esta data, tendo sido instalado no Convento de S. Francisco, num espaço vizinho da Academia de Belas Artes. Ao organizar-se uma rede museológica, articulada ao longo do país, cumpria-se um projeto de modernidade desenvolvido pelo ideário oitocentista de livre esclarecimento dos cidadãos, dotando o país com os instrumentos necessários à salvaguarda e revelação da arte nacional. Inédita e pioneira, no contexto internacional, terá sido a criação de um museu de arte contemporânea.
A instalação, ainda que a título provisório, do Museu Nacional de Arte Contemporânea no Convento de S. Francisco vinha simbólica e oportunamente situá-lo na zona frequentada pelas tertúlias das gerações representadas no museu. Ocupava os antigos salões onde as exposições dos românticos e naturalistas haviam tido lugar, em espaços anexos ao convento.
1911
O primeiro diretor, o pintor Carlos Reis, teve uma atuação discreta. A sua nomeação vinha inesperadamente consolidar uma opção conservadora em relação aos jovens artistas radicados em Paris. O museu ocupava então três salas do atual espaço e a sua entrada fazia-se pela Academia de Belas-Artes. Em 1914, o pintor Columbano Bordalo Pinheiro assumiu a direção dando continuidade e amplo desenvolvimento à linha tradicionalista anteriormente iniciada, resistindo às manifestações de desagrado que a geração modernista então sediada na Brasileira do Chiado exprimia. Durante a sua direção, até 1929, o museu foi ampliado em mais algumas salas, sendo uma delas dedicada à escultura. Foi o pintor Adriano de Sousa Lopes, indicado por Columbano como o único, de entre as jovens gerações, capaz de lhe suceder, a dar continuidade ao seu projeto e introduzir moderadamente algumas situações modernas que ele mesmo não poderia aceitar. Até 1944 Sousa Lopes revelar-se-ia um diretor mais ousado do que seria previsível. É neste período que finalmente a geração modernista começa a ter entrada nas coleções do museu e que são adquiridas importantes esculturas de Rodin, Bourdelle e Joseph Bernard. Também neste período o museu cresceu incorporando o contíguo atelier de Columbano Bordalo Pinheiro na Escola de Belas-Artes, abrindo assim uma nova sala dedicada ao pintor.
1945
Será o escultor Diogo Macedo que, como diretor, depois de profundas obras de remodelação de estrutura e interiores, em 1945, abre diariamente o museu ao público, com entrada independente pela Rua Serpa Pinto. Tendo sido um participante no movimento modernista e posteriormente um historiador de arte, seria de esperar uma nova atitude na direção. Um programa de exposições temporárias é posto em marcha, bem como investigações sobre artistas representativos da coleção através de pequenas monografias que o museu edita. Todavia uma clara definição de opções modernistas não é assumida, mantendo-se um compromisso pernicioso com o tardo-naturalismo descontextualizado do seu tempo. Alguns artistas revelados na segunda metade da década de 1940 vêm algumas das suas obras adquiridas, ainda que de forma pouco esclarecida e sem programa específico.
Assim, até 1959, o museu apresentava um perfil desatualizado e conservador pouco comum a outros museus espalhados pela Europa. A nomeação política do pintor Eduardo Malta, nesse ano, apesar dos protestos generalizados por parte da comunidade de artistas plásticos e críticos, veio, contudo, repor um modelo passadista que se revelaria catastrófico para as opções modernistas das coleções e o respetivo acerto, necessário, com a situação internacional. Um catálogo foi ainda realizado mas os fundamentos nazis, onde os critérios de apresentação da coleção se alicerçavam, impuseram a sua censura por parte das autoridades do próprio regime político que nomeara este mesmo diretor. Em 1970, Maria de Lourdes Bártholo, conservadora de formação, foi nomeada diretora do museu, que se encontrava em avançado estado de degradação. Durante os 17 anos seguintes o edifício sofreu apenas algumas obras de arranjo muito superficiais. As coleções prolongaram-se até à contemporaneidade sem que os critérios de representatividade dos diversos movimentos, tendências e individualidades da arte portuguesa, que a partir da década anterior haviam sofrido profundas transformações quantitativas e qualitativas, fossem minimamente equacionados e as aquisições definissem um entendimento consistente e porventura amplo da contemporaneidade.
1994
Com o incêndio do Chiado, em agosto de 1988, ainda que o fogo não tenha atingido o museu, as obras de arte foram retiradas como medida cautelar. Decidiu a então Secretaria de Estado da Cultura, Teresa Gouveia, que o destino das instalações deveria ser repensado. O governo francês ofereceu um projeto de renovação dos espaços da autoria do arquiteto Jean-Michel Wilmotte que, com uma equipa dirigida pela historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, redefiniu o museu tal como se apresenta desde a sua reinauguração em 12 de julho de 1994.
O projeto arquitetónico procurou integrar os espaços existentes de relevância histórica com uma linguagem neomoderna, valorizadora da autonomia dos planos que constituem as passagens suspensas, o próprio chão e os tetos ou as súbitas paredes que definem grandes verticalidades. Com uma original e económica paleta de materiais e cor, a sua sobriedade discreta dialoga plenamente com as funções do edifício.
Quando o museu reabriu foi renomeado como Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado. Um catálogo intitulado Museu do Chiado, Arte Portuguesa 1850-1950, da autoria de Pedro Lapa, Raquel Henriques da Silva e Maria de Aires Silveira, apresentava os núcleos mais consistentes e coerentes da extensa coleção, superior a duas mil espécies, com estudos individualizados de cada obra, bem como as respetivas bibliografia e historial. Dada a ineficácia do acervo em representar condignamente a segunda metade do século XX, a atenção da política de aquisições centrou-se nas obras seminais dos movimentos desse período. Um programa de exposições temporárias sistemático e organizado em torno dos artistas nacionais revelados nas décadas menos bem representadas na coleção foi posto em prática a par de uma grande ênfase nos estudos e investigações apresentados nos respetivos catálogos. Um programa de arte contemporânea dirigido aos artistas em fase de revelação, que realizaram os seus trabalhos a partir de interpretações da coleção do museu, foi ativado e permitiu a aquisição de variadas obras que iniciaram uma atualização da coleção relativamente à contemporaneidade. Desde a reabertura a insuficiência de espaço, quer para a coleção, quer para as exposições temporárias foi um facto notório.
1998
Em final de 1998 Pedro Lapa, que integrara a equipa de reorganização do museu, assumiu a sua direção. O programa de exposições temporárias ganhou maior destaque e passou a articular-se em quatro áreas específicas, direta ou indiretamente relacionadas com o âmbito cronológico da coleção. Assim deu-se início a um conjunto de exposições de carácter retrospetivo sobre artistas portugueses do século XIX; foram também continuadas as grandes retrospetivas de movimentos ou artistas modernistas portugueses, tendo sido realizado o primeiro catálogo raisonné sobre um artista português, Joaquim Rodrigo; paralelamente os nomes e movimentos que formaram as vanguardas históricas foram objeto de exposições amplas em coprodução com outros prestigiados museus internacionais; o programa Interferências (1998-2002) corria paralelamente às referidas exposições e apresentava trabalhos especificamente produzidos para o efeito por artistas contemporâneos nacionais e internacionais. Outro aspeto a que este programa dava especial relevância era a natureza das publicações que acompanhavam as exposições e que apresentavam um profundo desenvolvimento científico e ensaístico.
A política de aquisições tem-se desenvolvido em dois sentidos de forma a colmatar as referidas lacunas da coleção, sendo que as décadas de 1950 e 1960 encontram já muito significativas representações, bem como a década de 1990. Foi também dado início à integração na coleção de outros géneros artísticos, como sejam a fotografia e o vídeo, que constituem suportes de grande recorrência nas práticas artísticas contemporâneas. Para este efeito em muito contribuíram as participações de alguns mecenas mais empenhados neste processo de devolver ao Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado a propriedade da sua designação.
A ausência de espaço tem-se revelado como um dos fatores mais constrangedores de toda a diversidade de atividades que o museu procura desenvolver, seja a possibilidade de apresentar com caráter de continuidade as suas coleções, seja a de desenvolver exposições temporárias com a escala desejada ou ainda atividades pedagógicas, todas estas dimensões da atividade museográfica encontram limitações cuja resolução tem tardado.
Nesse sentido, e procurando colmatar as limitações espaciais, o MNAC tem tido uma política de mostrar, com caráter rotativo, núcleos da coleção, assim dando conta do crescimento do seu espólio e da investigação que vai sendo feita pelo museu em torno do mesmo. Essas exposições são ainda potenciadas por uma diversificada programação de Serviço Educativo, que vai das visitas orientadas a cursos, oficinas, palestras e mesas redondas e que tem também potenciado a organização de congressos internacionais e a parceria do MNAC com o meio académico nacional e internacional.
O estudo das coleções e também da história da própria instituição foi prosseguido por Helena Barranha, na sua direção, entre dezembro de 2009 e junho de 2012, e manteve-se central à direção de Paulo Henriques (julho de 2012-novembro de 2013).
Política expositiva e pedagógica
A ausência de espaço tem-se revelado como um dos fatores mais constrangedores de toda a diversidade de atividades que o museu procura desenvolver, seja a possibilidade de apresentar com caráter de continuidade as suas coleções, seja a de criar exposições temporárias com a escala desejada.
Nesse sentido, e procurando colmatar as limitações espaciais, o MNAC tem tido uma política de mostrar, com caráter rotativo, núcleos da coleção, assim partilhando com o público o crescimento das mesmas e a decorrente investigação que vai sendo feita pelo museu.
Essas exposições são potenciadas por uma diversificada e continuada programação de Serviço Educativo, dirigida a públicos de todas as faixas etárias e níveis de literacia.
2015
Em 2015, durante a direção de David Santos (dezembro de 2013 a julho de 2015), a entrega ao museu de edifícios até então sob a alçada da Polícia de Segurança Pública e do Governo Civil de Lisboa permitiram o aumento da área exposição do MNAC, criando-se a Ala Capelo.
No mesmo ano, a parceria mecenática entre o museu e a Sonae propiciou a criação de uma programação inovadora em torno de obras de media arte, expressa em três edições do bienal Prémio Sonae Media Art, duas edições da residência artística Sonae/MNAC Art Cycles, além de uma programação de vídeo arte.
Em julho de 2015, David Santos apresentou a sua demissão, sendo substituído interinamente por Samuel Rego que assumiu a direção até dezembro desse ano, quando Aida Rechena ganhou o concurso para a direção.
2017
Em dezembro de 2017, Emília Ferreira foi nomeada diretora, em regime de substituição, situação que se manteve até março de 2022, quando foi publicada a sua nomeação oficial, depois de vencer o procedimento concursal internacional.
Sob a direção de Emília Ferreira, o MNAC tem mantido a política de exposições retrospetivas e monográficas, sobre artistas portugueses oitocentistas e modernistas, potenciando as parcerias com museus nacionais e internacionais.
A coleção continua a ser atualizada, sobretudo através de doações e legados de artistas e de colecionadores.
Simultaneamente a uma programação de exposições de artistas contemporâneos, com projetos especificamente criados para o MNAC, prossegue uma programação pedagógica de cursos, palestras, oficinas e seminários.
O MNAC tem igualmente ampliado a sua política editorial, através de parcerias com editoras e com a Academia, nomeadamente com a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Com a FBAUL foi, além disso, implementada uma programação de Congressos Internacionais sobre artistas contemporâneos portugueses representados na coleção do MNAC.
As parcerias têm sido um dos aspetos focais desta direção. Desde 2018, Ano Europeu do Património Cultural, o MNAC vem desenvolvendo a rede colaborativa pro bono [Portugal entre Patrimónios]. Rede de turismo cultural sustentável, conta com mais de 70 parceiros em todo o país, aliando a alta cultura e a cultura popular, e potenciando, no território nacional, a partilha de recursos artísticos e intelectuais, através da realização de palestras, debates, exposições, seminários e cursos. O seu corpus de publicações próprias pode ser consultado no site do projeto [Portugal entre Patrimónios]: http://www.portugalentrepatrimonios.gov.pt.
O Acordo Tripartido, assinado em 2019, entre o MNAC, a FBAUL e a Fundação Millennium bcp é um dos exemplos da vontade de trabalhar em rede. Do mesmo modo, o protocolo com o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, o MNAC e a Fundação Millennium bcp, tem permitido o estudo de artistas representados nas coleções do museu e do Millennium bcp, através de uma bolsa de investigação concedida a um/a investigador/a do IHA/FCSH/NOVA, através de concurso, pela Fundação Millennium bcp, culminando com exposição monográfica no MNAC e a publicação de um estudo monográfico em parceria editorial entre o museu e a Tinta da China.
2020
Celebrando os 110 anos de vida do MNAC, foi levada a cabo uma intervenção artística na fachada da Rua Capelo, projeto para o qual o MNAC convidou o artista Pires Vieira, e que apenas foi possível graças ao envolvimento mecenático da sociedade civil. Assim, contámos com muitos apoios, entre os quais significativos mecenas e parceiros, sem os quais, esta ação financeiramente exigente jamais se poderia ter concretizado. Além do principal mecenas do museu, a Fundação Millennium bcp, o MNAC contou também com o apoio mecenático da Vanguard Properties, da CIN e, a título individual, de Maria da Graça Carmona e Costa; o apoio da SPAL e da Ramos Pinto; e, como parceiros, o jornal Público, a editora A Bela e o Monstro, o histórico café A Brasileira do Chiado e a agência Fuel.
Também em 2020, abrimos a galeria [Portugal entre Patrimónios], no átrio do edifício da Rua Serpa Pinto. Associada ao projeto com o mesmo nome esta galeria tem partilhado obras de artistas e de programas colaborativos dos nossos parceiros, trazendo novos públicos ao museu.
2020 e 2021
Programação online durante os dois confinamentos
Devido ao encerramento causado pela pandemia, o contacto de proximidade com os nossos públicos viu-se suspenso, como suspensos foram os projetos à data em desenvolvimento e que davam corpo à programação planeada.
Em 2020, através da página de Facebook do MNAC, o museu iniciou a programação do “Diário das pequenas coisas” (alusão à exposição sobre Sarah Affonso, “Os dias das pequenas coisas”, patente no MNAC entre setembro de 2019 e março de 2020). Essa programação digital apresentou, ao longo de 75 dias, dezenas de publicações, organizadas de acordo com objetivos previamente definidos e de modo a suscitar o interesse dos mais variados públicos.
Em “História de Uma Coleção” apresentámos a Coleção MNAC; “Histórias da História de Uma Coleção” deu a conhecer factos e episódios menos conhecidos do grande público, em torno de uma obra; “Glossário” informou quanto aos significados da terminologia artística; “Outros modos de ver” apresentou perspetivas diferenciadas do acervo sob o prisma da visualidade (coleção e exposições de fotografia, pequenos vídeos sobre a atividade do Museu ao longo dos anos); “INSPIRAÇÃO MNAC” foi um conjunto de pequenos filmes em torno do que nos inspira, e “SOMOS MNAC”, série de 6 pequenos filmes de apresentação da Equipa do museu, e das funções de cada um dos seus elementos.
Em 2021, no segundo confinamento o “Diário de Dilemas Quotidianos”, desta vez inspirado na exposição coletiva DILEMA DE SER E PARECER. O RETRATO NA PINTURA, FOTOGRAFIA E ESCULTURA (1850-1916), o MNAC apresentou 11 rúbricas num
programa online, através da página de Facebook e do canal de Youtube, que se alargou por 90 dias.
Além de uma rúbrica em torno de algumas das obras patentes na exposição, tivemos também “Histórias do Bairro”, em que se destacam memórias do Chiado; continuámos o “Glossário de Arte” e as “Leituras de obras” e ainda a rúbrica de leitura mais personalizada “O que esta obra me conta”. Ao fim-de-semana, programação especial “O Fungagá das Artes” (Prémio APOM 2022), para miúdos e graúdos, apresentou dois cursos de desenho, quizzes e puzzles.
Os cursos de desenho, orientados por Nelson Ferreira e António Faria, foram possíveis graças ao mecenato da Fundação Millennium bcp. Devido ao enorme sucesso de público, migraram do Facebook para o Youtube, onde ainda podem ser vistos.
Ao longo do confinamento de 2021, o MNAC realizou ainda um ciclo de conversas académicas online, em torno do Retrato, com convidados nacionais e internacionais. Foram também partilhados, através da página de Facebook do museu, filmes, entrevistas e 177 depoimentos de artistas, todos disponíveis no canal de Youtube do MNAC.
2021
Em 2019, a Fundação Millennium bcp tornou-se o maior mecenas do MNAC, tendo financiado o projeto arquitetónico e a reabilitação de um espaço herdado da PSP e que se encontrava numa situação de ruína. Nesse espaço funciona, desde 2021, a Galeria Millennium bcp, no MNAC. Esta galeria, cuja programação, da responsabilidade do
museu, é inteiramente financiada pelo mecenas, apresenta-se como um espaço laboratorial, acolhendo uma atividade curatorial que se pretende inovadora, quer nos pressupostos teóricos e artísticos, quer nos media apresentados.
A importância da Cultura para a Economia
Em 25 de Outubro de 2021, realizámos um encontro em torno do tema “A importância da Cultura para a Economia”.
Organizada por um repto do MNAC à empresa State of the Art, contou com o Jornal de Negócios e com o Canal Cultura como media partners e com a participação dos convidados António Monteiro, Presidente do Conselho de Administração do Fundação Millennium bcp; Álvaro Beleza, Presidente Coordenador da SEDES; Luís León, Co-fundador ILYA; João Cortez de Lobão, Co-presidente da Fundação Gaudium Magnum – Maria e João Cortez de Lobão; Steven Braekeveldt, CEO da Ageas Europa Continental e CEO do Grupo Ageas Portugal; e com Sofia Tenreiro, Fundadora SBC Venture Capital.
Hoje
Atualmente a coleção do MNAC, em crescente atualização, integra um acervo significativo e qualificado de obras de arte, representativas da complexidade e diversidade dos movimentos e práticas artísticas desde a modernidade aos nossos dias, honrando os pressupostos presentes na sua fundação e mantendo-se dinamicamente comprometida com o presente e com o futuro.
Edifício
Instalado desde 1911, ano da sua fundação, no espaço do convento de São Francisco da Cidade, conjunto seriamente afetado pelo terramoto de 1755, o atual Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado foi, após o incêndio que em 1988 afetou a zona, reinaugurado em 1994 sob projeto de renovação da autoria do arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte.
O átrio do Museu serve de entrada e acolhimento aos visitantes e apresenta as linhas gerais que presidiram ao risco do complexo, de uma arquitetura neo-moderna que respeitou os vestígios históricos pré-existentes: imóvel monástico datável do período da reconstrução pós-terramoto, posteriormente adquirido, após a extinção das Ordens Religiosas pela lei liberal de 1834, pelo negociante inglês Abraham Wheelhouse. O átrio ostenta dois pilares de lioz que suportam uma abóbada de tijolo de seis panos, numa austeridade de linhas construtivas inserível na tradição da arquitetura chã portuguesa. A renovação empreendida respeitou e valorizou estes vestígios, tomando partido do pé-direito elevado através de uma plataforma suspensa que permite um nível de visita intermédio, onde se apresenta escultura. Passadeira e escadaria de acesso, balcão de atendimento, painéis de sinalética, guardas envidraçadas, mobiliário, sistemas de iluminação e suportes de obras de arte foram integralmente desenhados por Wilmotte, que se socorreu de materiais como a pedra, o metal e as madeiras bem como de uma paleta cromática de cinzas, valorizada pela pedra de azulina de Cascais polida que reveste o pavimento.
Os cinzas predominam na sala subsequente e superior, onde se expõe escultura, cujo elevado rasgamento vertical amplia ilusoriamente o reduzido espaço de exposição. Através de uma escadaria empedrada o visitante acede ao segundo piso do edifício. Aqui se abre a “Sala dos Fornos”, espaço erguido originalmente entre 1830-40 por Wheelhouse que, então, o dotou de um importante conjunto de fornos em tijolo. A abertura quadrangular no piso que comunica com o hall inferior, atualmente coberta por vidro-rocha, destinava-se certamente à elevação e transporte de farinhas.
Novo lance de escadas conduz a uma galeria quadrangular que deita para a sala da escultura e permite o acesso quer aos gabinetes da direção e terraço superiores, donde se vislumbra o Tejo, quer a outra zona de exposições, duas galerias longitudinais e comunicantes em «L», entrecortado por estreitas frestas de iluminação natural.
Da galeria posterior acede-se, a uma sala anexa, espaço experimental revestido a madeiras onde alternam a iluminação natural e artificial.
Anexos a este módulo assinalam-se os espaços da Biblioteca e do Gabinete de Desenhos, porventura as zonas onde a memória conventual é mais visível, por exemplo, nas coberturas abobadadas ou no par de pilares, que se destacam entre o equipamento técnico.
Findo este percurso, o visitante desce através de uma escadaria suspensa ao espaço do jardim exterior com esculturas em bronze dos séculos XIX e XX. Do jardim o visitante acede novamente por uma porta envidraçada à passadeira elevada no átrio, descendo à receção.