Busto da Viscondessa de Moser
António Soares dos Reis, 1882
Este busto é das mais significativas obras do período naturalista de Soares dos Reis. A distribuição do modelado bem delimitado por zonas, expressivo e algo informe no decote e na touca, suave no peito e de pendor analítico no rosto, concentra a atenção neste – pólo moderno e naturalista – que revela um notável equilíbrio com os remates inesperadamente filiados num lirismo campestre – pólo clássico e evocador das floras romanas que Soares dos Reis terá estudado atentamente durante o seu pensionato. Destas permanências e modernidades resulta o inesperado sentido monumental de um retrato que no dizer de Diogo de Macedo se revela o de “mais sentida (…) realidade dum naturalismo que pela forma se confunde com a própria vida”.
Pedro Lapa