Campina romana
Executada em Roma, esta pintura denota um entendimento novo dos esquemas cromáticos no panorama oitocentista nacional. A intensidade dos vermelhos salpicados das papoilas e dos verdes das ervas do primeiro plano cria uma complementaridade atrevida, a que não será alheia a pintura dos macchiaioli que Loureiro terá conhecido. Também o modo como este plano está esboçado é revelador de uma sugestão impressionista que a pintura portuguesa não viria a conhecer.
Outro aspecto extremamente bem conseguido é a presença de um charco que rompe o chão, reflecte o céu e acentua a profundidade do espaço. A luminosidade vem equilibrar o contraste das complementares do lado oposto. A enfatizada horizontalidade, que a forma do quadro acentua, é contrariada pelas duas meninas, pintadas de um modo mais classicizante, e pela árvore que com elas estabelece o contrabalanço necessário. Embora estes aspectos da composição sejam devedores de esquemas mais tradicionais é na intensidade cromática que se jogam as propostas mais inovadoras desta e de uma forma geral de toda a pintura de Loureiro.
Pedro Lapa