A feira

Obra tardo-naturalista por excelência, A feira corresponde tematicamente à pintura de Malhoa, na medida em que “a odisseia rústica nacional” de que falava Fialho a propósito deste, conhece aqui um receituário no qual se revêem tanto monárquicos como republicanos.
Se o tema desta pintura de costumes fora já tratado no romantismo por Leonel Marques Pereira, o naturalismo definitivo do tratamento fixa iconograficamente os signos de uma feira que se desenrola ao ar-livre, sob a grande copa de um enorme pinheiro-manso.
Camponeses e animais de carga dispõem-se como actores de teatro sob esta cenográfica copa, tudo pintado numa intensa carga cromática que vai dos verdes intensos da árvore e da vegetação rasteira aos vermelhos e amarelos vivos do traje e da terra ensolarada em primeiro plano, confirmando o pintor como um mitificador colorista do tardo-naturalismo ruralista.

Raquel Henriques da Silva


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