Margens do rio Nabão Tomar

Durante toda a década de oitenta Silva Porto viajou amiúde pelo país, inventariando os lugares com a nova paleta aberta à luz e ao colorido local. A cor terrosa e o azul esbranquiçado do céu fazem-se dominantes no entendimento da luz. A pincelada é espessa e lenta anulando a reprodução dos valores próprios dos referentes, como é o caso do rio. A distribuição da paisagem por áreas bem definidas vincula uma composição ritmicamente triangulada. A presença de uma figura, vaga, vem levantar um impasse que se prolongou pela obra do artista e que consiste na importância dada a esta – como aprendeu com Cabanel e viu em Troyon, – ou na indiferença que dela prescinde, como foi o caso do seu mestre Daubigny. Silva Porto nunca optaria definitivamente, desenvolvendo antes ambas as atitudes, numa postura algo indecisa.

Pedro Lapa


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