Pequena fiandeira napolitana

Durante os meados do século XIX foi moda nos Salons de Paris a pintura de costumes regionais italianos. Estes eram observados com um sentido romântico profundamente idealizado, produzindo um efeito de exotismo. Executada em Itália, onde a luz foi uma revelação para Silva Porto, esta composição de costumes, à semelhança de outras de Corot, revela-se um bom pretexto para um trabalho cromático. No caso presente, descobre-se uma concepção realista, sobretudo atenta ao tipo fisionómico do modelo. A luz é já a do ar livre agora com um timbre novo, mais meridional, diferente da que aprendera com Daubigny. A paleta revela uma atenção aos Veristas e à pintura de Fortuni, servida por uma pincelada marcada e espessa. A roca e o fuso permitem a construção de uma linha com quebras dinâmicas que contrariam o estatismo da figura e enfatizam a sensação do instantâneo.
Exposta no Salon parisiense de 1878, esta obra confirmava o êxito do pensionato de Silva Porto em França e Itália, abrindo-lhe a possibilidade da futura carreira académica em Lisboa.

Pedro Lapa


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