Lavadeiras do Mondego
As representações fotográficas do trabalho assumem duas variantes essenciais na obra de Adelino Lyon de Castro, ou são tratadas em planos gerais de inspiração poética, ou surgem em grandes planos que realçam o esforço físico e veiculam a sua faceta realista. Esta imagem das Lavadeiras do Mondego insere-se no primeiro caso, em que a luz baixa da manhã serve de cenário à actividade das mulheres na beira-rio, numa sugestão de formas que o plano «picado» deixa entrever mas não desvenda. Do conjunto, acaba por impor-se a relação entre claros e escuros, assim como a relação entre a geometria dos lençóis a secar e o espelho reflexivo naturalista do rio.
Emília Tavares